Como Plantar Morango Orgânico



Como Plantar Morango



Passos na Implantação da Cultura


1. Escolha da cultivar 

 



A escolha da cultivar é de fundamental importância para a obtenção de alta produtividade e produção na entressafra. Essa fase deve levar em conta a produtividade, a precocidade, a conservação, o sabor e a adaptação da planta às condições regionais. Todos esses fatores estarão relacionados às exigências edafo-climáticas de cada cultivar, como temperatura, fotoperíodo, necessidade de frio antes do plantio, radiação solar, disponibilidade de água, vento, tipo de solo, dentre outros.
Considerando as peculiaridades climáticas da região, a maioria das cultivares disponíveis no mercado apresentam potencialidade para cultivo. Entretanto, considerando as cultivares de dia curto, plantadas entre os meses de março a junho, recomenda-se para a região, como mais produtivas e adaptadas, as
cultivares Camarosa, Oso Grande, Campinas, Ventana, Sweet Charlie e Tudla Milsei. Para produção na entressafra, recomenda-se as cultivares denominadas como de dia neutro (indiferentes à duração do dia), que podem ser plantadas o ano todo, porém, mais especificamente a partir de julho. Nesse contexto, as principais são: Diamante, Albion e Aromas.
Trabalhos de pesquisa realizados demonstraram que dentre as várias cultivares avaliadas, a Tudla-Milsei se destacou por apresentar maior produtividade sob manejo orgânico de produção, o que permite recomendá-la para cultivos agroecológicos.


2. Aquisição das mudas



A aquisição das mudas pode ser considerada a etapa mais importante para o sucesso do produtor que pretende investir no cultivo orgânico do morangueiro, onde a qualidade da muda vai determinar um dos fatores mais críticos na produção orgânica, que é o controle de pragas e doenças. Portanto, as mudas devem apresentar boa qualidade sanitária (livre de doenças e pragas) e fisiológica (boa indução floral, bom acúmulo de reservas, vigorosas e bom sistema radicular.
O produtor deve adquirir suas mudas em viveiros credenciados, especializados e tradicionais, que apresentem atestado de sanidade e submetidos a severo controle fitossanitário.

Muitos produtores tem optado por produzir suas próprias mudas, reduzindo os custos e possibilitando maior controle sobre o planejamento da produção, com melhor adaptação da cultura às condições locais.
A renovação da lavoura, com utilização de mudas de boa qualidade, deve acontecer a cada ciclo produtivo, haja vista que lavouras com plantas remanescentes ou com mudas provenientes de plantações comerciais têm sua produtividade reduzida em até 40 %. Portanto, a renovação a cada ciclo de cultivo, mediante utilização de novas mudas, é de fundamental importância para se obter sucesso com a cultura.
No momento da seleção das mudas deve-se fazer a opção por maiores diâmetros de coroa, pois é indicativo de mudas com maior acúmulo de reservas e melhor estádio fisiológico, o que resulta em maiores produtividades. O produtor deverá fazer a opção por mudas que apresentam diâmetro de coroa superior a 8mm e sistema radicular que permite poda entre 10 a 12cm de comprimento. A utilização de mudas vigorosas torna possível uma maior precocidade e uma produtividade cerca de 20 a 25% superior ao cultivo com mudas consideradas pequenas (diâmetro
de coroa inferior a 6 mm).


3. Manejo da muda pré-plantio



Depois de arrancadas, deve-se tomar o cuidado para que as mudas preservem todas as qualidades agronômicas. O transporte deve ser feito em embalagens plásticas isentas de agentes contaminantes, mantendo-se a umidade, principalmente no sistema radicular. Os fardos contendo as mudas não devem ser amontoados em camadas, para evitar a fermentação e consequentemente a sua inviabilização para o plantio.
As folhas velhas e com manchas devem ser retiradas a um 1 cm da base do pecíolo, tomando-se o cuidado de não retirar a bainha que protege as gemas que formarão as inflorescências, folhas novas, estolões e nova coroa. A retirada das folhas evita a perda de água e reduz o estresse do transplantio.
Após a limpeza, as mudas deverão ser tratadas por 10 minutos em solução com calda sufocalstica ou bordaleza a 10 % e levadas ao campo na sequência. As mudas tratadas não devem ser armazenadas para plantio no dia posterior. Durante o tratamento e o manuseio das mudas é recomendável a utilização de equipamentos de proteção individual.


4. Preparo e tipo de solo



O solo deve apresentar boa estrutura física (textura média), ser arejado, profundo, rico em matéria orgânica, preferencialmente de encosta (2 a 3% de inclinação) e com exposição ao norte. Solos salinos, calcários, frios e mal drenados devem ser evitados, pois reduzem consideravelmente a produtividade. Devem ser evitadas áreas anteriormente cultivadas com morango ou solanáceas (tomate, pimentão, jiló e berinjela) e com histórico de infestação por nctes da Tomada de Decismatóides.
Antes do preparo do solo propriamente dito, eleve-se retirar uma amostra de solo da área para análise química completa. Esse procedimento deverá ser realizado cerca de 6 meses antes da previsão de transplantio.
O preparo do solo consiste de duas arações, a primeira a 60 dias, e a segunda a 45 dias do transplantio, seguido de uma gradagem. Caso seja necessária, a calagem deverá ser realizada entre a primeira e a segunda aração. Antes do levantamento dos canteiros, havendo necessidade, aplica-se uma fonte de fósforo (termofosfato ou fosfato natural). A adubação orgânica deverá ser aplicada antes da gradagem, principalmente quando utiliza altas dosagens de esterco bovino ou de aves, cerca de pelo menos 30 dias antes do transplantio, para permitir uma melhor lixiviação do cloreto.
Os canteiros podem ser levantados por meio dc rotoencanteiradores ou de forma manual, dependendo da disponibilidade de maquinário na propriedade, devendo ser construídos com um pequeno desnível 0,1 a 0,3% para permitir o escoamento da água e evitar o encharcamento; e com comprimento variável, dependendo das condições do terreno. Não se recomenda canteiro muito comprido, superior a 50 metros, sendo preferível uma medida entre 15 e 30 metros.

O canteiro poderá apresentar as seguintes dimensões:

Largura: 1,0 a 1,2m;
Altura: variável em função do tipo de solo:
solos permeáveis e arenosos — acima de 15 cm de altura;
solos argilosos e mal drenados — acima de 25 cm de altura.
Espaçamento entre canteiros: 40 a 50 cm.

No caso da existência de camada adensada, alguns adubos verdes podem ser utilizados para a solução do problema, em substituição a escarificação ou subsolagem. Deve-se reduzir a mecanização, deixando o solo sempre protegido por cobertura morta ou verde, que é eficaz contra a erosão e melhora as propriedades físicas e químicas do solo.

5. Plantio



Na maioria dos casos, os produtores efetuam o plantio imediatamente após compradas e entregues as mudas, outros preferem comprá-las mais cedo, encanteirá-las e fazer o plantio mais tarde. Entretanto, depois de arrancadas, o plantio deve ser feito o mais rápido possível, para não reduzir seu pegamento.
O plantio deve obedecer à época do ano estabelecida para cada região, sendo que no Sul esta varia de 30 de abril a 15 de junho. Antes do plantio, faz-se a limpeza das mudas, procurando eliminar folhas velhas e danificadas e deixando as raízes com 12 a 15 cm de comprimento.
O espaçamento mais usual é 30 x 30 cm ou 35 x 35 cm, distribuídos de forma triangular, para permitir maior espaçamento entre as plantas. Contudo, há produtores que preferem fazer seus canteiros com apenas um metro de largura, aconselhando-se, nesse caso, 3 linhas por canteiro com espaçamento de 30 x 30cm.
Outro fator a ser considerado é a profundidade de plantio da muda em relação ao nível do solo, que deve ficar na metade do caule (coroa). Se a muda for plantada muito profundamente, terá dificuldade para emitir novas folhas e, se muito superficialmente, haverá dificuldade para a emissão de novas raízes laterais.
As raízes devem ficar bem distribuídas e comprimidas pelo solo, evitando-se o enovelamento ou que fiquem voltadas para cima, pois isso prejudica o pegamento e o desenvolvimento da planta.

6. Cobertura do solo


A cobertura do solo é uma prática comum no cultivo do morangueiro, indicada essencialmente para evitar que o fruto entre em contato com o solo. São muitos os materiais possíveis de serem utilizados para cobertura dos canteiros e carreadores, podendo-se destacar: filmes de polietileno, serragens, maravalha, gramíneas secas ou picadas, bagaço de cana-de-açúcar, sabugos de milho picados, etc. Os filmes plásticos empregados devem apresentar espessura de 30 micras, com coloração variada, desde transparentes, prateados, pretos, até os denominados de dupla face, onde a parte superior é de coloração prateada e a inferior de coloração preta, sendo este último de custo mais elevado.
A vantagem do uso do plástico de polietileno sobre as coberturas mortas é que ele cria um ambiente de baixa umidade, com redução de índices de descarte de frutos, aumentando a precocidade e a redução da mão de obra. Entretanto, apresenta as desvantagens de: elevar os custos, estimular a proliferação de ácaros e não incrementar matéria orgânica no solo.
O uso de materiais orgânicos como cobertura do solo (casca de arroz, palha) reduz o custo de produção, diminui a infestação por ácaros e aumenta o teor de matéria orgânica no solo, todavia, como eleva o índice de frutos com podridão, alonga o ciclo da cultura, proporciona maior contaminação com resíduos e produção de frutos com coloração não uniforme, causa uma redução no valor comercial do produto.
A cobertura do solo deve ser feita nas horas mais frescas do dia, quando a cultura já estiver completamente estabelecida, aproximadamente 30 dias após o plantio. Existe grande variabilidade nos métodos de colocação do plástico, sendo que cada produtor deve fazer adaptações, dependendo de suas condições de trabalho. Na região norte do Paraná, a colocação do plástico é feita da seguinte maneira: colocam-se pequenas hastes de taquara, voltadas para cima, ao lado de cada planta; estende-se o plástico sobre o canteiro onde os locais de perfuração ficarão demarcados pelas hastes de taquara; fura-se o plástico no local demarcado e passam-se as plantas pelos furos; e, por último, prende-se o plástico nas laterais do canteiro com o auxílio de grampos de taquara e solo.
O cultivo protegido, mediante o uso de cobertura com filme plástico, é uma prática aplicada em 90 % da área cultivada no Brasil, principalmente na região sul de Minas Gerais. As principais vantagens consistem na proteção contra geadas severas, que causam abortamento de flores; e na proteção contra chuvas, que causam o molhamento da parte aérea e, consequentemente, o aumento do índice de doenças da parte aérea, como a miscosferela e a antracnose. O ciclo produtivo e produtividade aumentam consideravelmente.
O cultivo do morango com ambiente protegido permite um aumento da produtividade em turno de 30 % em comparação ao cultivo no campo, o que permite inferir que o ganho produtivo é suficiente para pagar o investimento.
O sistema de cultivo em túnel baixo é o mais usual, haja vista a eficiência, a maior facilidade de manejo (abertura e fechamento) e, principalmente, o menor custo, quando comparado ao sistema de túnel alto e estufas. Para montagem dos túneis baixos, são utilizados: filme plástico transparente de 100 micras e 2,2 m de largura, arcos em ferro galvanizado ou tubos de polietileno.
Os arcos devem ser espaçados em 2,0 a 3,0 m, dependendo da intensidade do vento na região. Ventos mais fortes implicam em menor distância entre os arcos. O túnel deve ser montado cerca de 30 dias após o transplantio. Em cada extremidade do canteiro deve-se colocar estacas que vão permitir a fixação do plástico “tem arcos que já tem um lugar para amarrar os cordões dispensando colocar estacas”. Cordões finos precisarão ser trançados sobre o plástico de uma extremidade a outra, com o objetivo de fixá-lo sobre os arcos.
De maneira geral, os túneis devem ser manejados com abertura por volta das 9 horas e fechamento por volta das 17 horas. Durante os dias de chuva, os túneis deverão ser mantidos fechados durante todo o dia.
A principal vantagem de se utilizar estufas ou túneis altos é a viabilização de manejo e colheita durante os dias chuvosos.


7. Calagem



A correção do solo é uma prática indispensável na exploração racional da cultura do morangueiro, principalmente quando tratamos do cultivo orgânico. Os benefícios da calagem são uma combinação favorável de vários efeitos, dentre os quais destacam-se: elevação do pH; fornecimento de cálcio e magnésio como nutrientes; diminuição ou eliminação dos efeitos tóxicos do alumínio e manganês; diminuição da fixação de fósforo; aumento da disponibilidade no solo de nitrogênio, enxofre e molibdênio.
O nível de pH do solo, que parece ser o mais adequado para a cultura do morangueiro, é aquele que varia de alto a médio (pH em água, de 5,0 a 6,0). Em solos com pH mais elevado, o desenvolvimento da planta é prejudicado. Alguns autores sugerem que o morangueiro apresenta resposta positiva à calagem apenas em solos com pH em água inferior a 5,0.
O método de recomendação de calagem no Estado do Paraná é o de saturação por bases, no qual a realização da calagem é indicada quando o valor da saturação por bases for inferior a 60%, devendo ser elevado para 70% no caso da cultura do morangueiro. A técnica de gessagem também consiste em
uma prática bastante interessante, pois permite o deslocamento de nutrientes para camadas mais profundas, além de fornecer enxofre e cálcio.


8. Adubação orgânica



Quando tratamos de agricultura orgânica, a adubação com restos vegetais e animais é considerada a base fundamental para o sucesso da cultura. Os efeitos da adubação orgânica vão além de beneficiar as características físicas e biológicas do solo, pois, como é fonte de nutrientes, aumenta a ação microbiana, a aeração e a disponibilidade de água no solo, favorecendo a infiltração e a retenção, regulando a temperatura do solo, evitando a compactação e auxiliando no controle dos processos erosivos, melhorando a estrutura e absorção dc nutrientes, dentre outros.
A aplicação deve ocorrer de 30 a 45 dias antes do plantio, reduzindo as chances de contaminação por sais. No caso da cama de frango, que apresenta em alguns casos alta concentração de sais solúveis, que podem ser fitotóxicos, o material deve ser previamente compostado. Já para a torta de mamona, deve ser respeitado o prazo mínimo de 60 dias antes do plantio.
Para definir a quantidade de esterco a aplicar, é necessário conhecer a textura e o nível de matéria orgânica do solo. Para solos que apresentem até 1,2 % de matéria orgânica, a quantidade a ser aplicada é 100 t/ha de esterco de curral curtido; solos entre 1,3 a 2,4 %, 80 t/ha; e níveis superiores a 2,5 %, 50 t/ha. Caso o produtor faça uso de esterco de aves, recomenda-se a aplicação de 1/3 da dose recomendada do esterco bovino.
Eventualmente, existe a necessidade de complementar a adubação orgânica com nutrientes ausentes ou pouco disponíveis na matéria orgânica. Entre esses elementos, destacam-se o potássio, magnésio, cálcio e fósforo. Existem alguns produtos alternativos para serem utilizados como fontes destes nutrientes em cultivos orgânicos, tais como:
calcários; fosfatos naturais e semi- solubilizados; farinha dc ossos; minerais de rocha moídos, que sejam fontes de cálcio, magnésio, fósforo, potássio e outros elementos; cinzas vegetais e resíduos de biodigestores; húmus de minhoca, guanos e turfas; e tortas e farinhas de resíduos vegetais e animais.
Um dos materiais que vem sendo utilizado com sucesso como suprimento de matéria orgânica para o solo, no cultivo orgânico do morangueiro, é o conteúdo ruminal descartado nas operações de frigorífico. Este subproduto já possui um determinado grau de decomposição e também serve de alimento para as minhocas, possibilitando produção de húmus dentro da propriedade.

9. Adubação complementar


Os produtores orgânicos têm utilizado preparados à base de biofertilizantes líquidos como fonte alternativa e suplementação de nutrientes.
Estes são preparados à base de esterco de curral fresco e água, na proporção 1:1, e fermentados de forma anaeróbia em tonéis de plástico.
O supermagro é uma variante deste processo que visa suprir micronutrientes junto com o biofertilizante. E formado pela mistura de micronutrientes, na forma de sais; materiais orgânicos, juntamente com melaço, leite e água. Estes produtos, ao serem absorvidos pelas plantas, funcionam como fonte suplementar de micronutrientes e de componentes inespecíficos. Revelam potencial para controlar diretamente alguns fitoparasitas através de substâncias com ação fungicida, bactericida ou inseticida, presentes em sua composição.

 

10. Irrigação


A escolha do sistema de irrigação deve ter como base a análise de fatores como: tipo de solo; clima; topografia; custo do sistema; incidência de pragas e doenças; quantidade e qualidade de água disponível. Este liquido de irrigação consiste em um dos principais meios de disseminação de patógenos na cultura do morangueiro, portanto o uso de água de boa qualidade é de substancial importância para a obtenção de sucesso com a cultura do morangueiro. Deve-se evitar o uso de água tratada da rede pública, com resíduos de agrotóxicos e com temperaturas diferentes da do ambiente. Nesse sentido, recomenda-se a utilização, quando possível, de água de poços artesianos.
Os sistemas mais utilizados são os de aspersão convencional e gotejamento. Este último vem se destacando no cultivo do morangueiro por apresentar melhor manejo fitossanitário e maior facilidade de controle de doenças, além da economia de água.
O aconselhável é que se regue poucas vezes, mas em abundância (de acordo com o tipo de solo), do que constantemente e de maneira superficial, o que pode trazer prejuízos fitossanitários à cultura, salvo no período inicial de desenvolvimento da lavoura.
O sistema de irrigação por aspersão apresenta-se útil nos primeiros 30 dias da cultura no campo, promovendo um melhor pegamento das mudas. No entanto, neste caso, após estabelecimento da cobertura de solo e do túnel, o meio de irrigação mais adequado é o por gotejamento.

11.Controle de Pragas e Doenças


Os ácaros e os pulgões são as principais pragas do morangueiro, sendo que a umidade e a temperatura elevadas facilitam o seu aparecimento. Se as pragas atingirem uma pequena porção da plantação, recomenda-se à eliminação das plantas danificadas.
No controle dos pulgões pode-se utilizar desde preparados a base de plantas e minerais até o controle biológico com joaninhas. Para o controle do ácaro rajado, recomenda-se a técnica de produção em folhas de feijoeiro de ácaros inimigos naturais do acaro rajado e a introdução destes organismos na plantação de morangueiros.
O aparecimento de doenças é mais acentuado em regiões de clima quente e úmido. O mais grave e disseminado problema fitossanitário é a “mancha das folhas”, causada pelo fungo Mycospharella Fragariae. O controle pode ser obtido seguindo alguns cuidados: plantio de variedades resistentes; escolha de um local bem arejado e sem excesso de umidade; e uso de mudas sadias. Em caso de ataque a morangueiros, deve-se descartar o material afetado. Se o ataque for às folhas, sugere-se a retirada das atingidas.
Diversas pesquisas de biocontrole do mofo cinzento estão sendo feitas no Brasil em condições controladas e de campo, mostrando que o fungo Gliocladium roseum, habitante normal dos tecidos do morangueiro, exerce controle eficiente de Botrytis. A utilização desse método pode ser realizada com aplicações semanais do antagonista, na concentração de 106 con/mL. O fungo pode ser multiplicado em sementes esterilizadas de trigo que, depois de colonizadas, são suspensas em água e a suspensão é filtrada e diluída até atingir a concentração desejada.
Outro ponto importante para evitar problemas fitossanitários é a rotação de culturas, pois o morangueiro deve ser retirado do terreno após seu ciclo anual. Não se recomenda o replantio seguido dessa cultura em mesmo local, nem o uso de plantas da família das solanáceas (tomate, batata, pimentão, berinjela) que podem transmitir viroses e fungos que atacam as raízes do morango. Neste caso, o ideal seria utilizar na rotação um adubo verde ou outra cultura comercial.
Entretanto, o uso dos biofertilizantes, microrganismos antagonistas, caldas e preparados na agricultura orgânica, necessita de estudos efetivos para se entender a atuação de cada elemento ou agente e definir formas e épocas adequadas de aplicação, especialmente na cultura do morangueiro.
Para o controle de ácaros e pulgões, recomenda-se aplicações semanais com óleo de Nin a 5%, alternando-se com Bioalho a 6%. Durante o período de colheita, as aplicações desses produtos devem ser mais espaçadas, pois podem alterar o sabor e aparência dos frutos. Trabalhos de pesquisa têm demonstrado que preparados a base de pimenta e com princípio ativo de determinadas plantas têm proporcionado um controle satisfatório dessas pragas.

12.Colheita


A colheita começa aproximadamente entre 60 e 80 dias após o plantio das mudas, variando em função da cultivar e características edafo-climáticas do local de cultivo. A colheita prolonga-se por 4 a 6 meses, até que a temperatura, o fotoperíodo e o regime hídrico determinem o fim do período produtivo e o início de nova fase vegetativa.
 (A cor é o critério mais empregado para definir o ponto de maturação, os frutos devem ser colhidos quando 50 a 75% da superfície do fruto apresentar a cor vermelha, antes da completa maturação, que é quando o fruto apresenta-se bem avermelhado e macio. No entanto, devem ser levados em consideração: o tempo de transporte, temperatura ambiente, cultivar e finalidade do produto.
A colheita precisa ser feita diariamente, ou no máximo a cada três dias e, se possível, ser realizada nas horas mais frescas do dia, com frutos livres de umidade de orvalho, de chuva ou irrigação.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito interessante!!!
    O morango já é uma fruta deliciosa e suculenta...com um preparo adequado então...
    vale muito a pena consumir produtos orgânicos

    http://thiagoorganico.com/2016/05/17/morango-organico-alimento-organico/

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